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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Restituição? Hoje, só ano que vem.

Ontem deu-se a notícia de que as restituições de Imposto de Renda sofreriam um atraso de até cinco meses - ou seja, quem não recebeu até agora, pode só receber em 2010. O legal foi ver a desculpa do governo para o ato: não rendeu o suficiente para a devolução. Parô, parô, parô! Como assim, não rendeu?! Tirando fora todos os desvios, caixas dois e salários absurdos de todos que tem cargos dentro da ala política, vão dizer que os tributos retirados do salário de todos com carteira (fato, aliás, vangloriado pelo mesmo governo há pouco tempo) não foi suficiente para devolução de uma parte mínima? Ah, pára! O que retorna para o bolso do contribuinte é pouco mais de 30% do que ele recolhe. Ou seja, cerca de 70% fica com o governo... e não tem como devolver? Ah, pára (2). Mesmo com a queda de recolhimento, o tal "porcento" deixa sempre margem pra devolução, é uma questão matemática bem simples, a meu ver.

Subestimar a inteligência do povo já é praxe, e não os culpo por isso. Somos esquecidos, coniventes e - num linguajar mais popular, acomodados. Esse pequeno problema renderá mais conversas de botequins e.... só. Aguardaremos ansiosamente por março do ano que vem para termos um dinheirinho de volta - ei, de repente, paga-se o Carnaval com ele! Afinal, é só aí que o ano começa mesmo.


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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Brasil, você tem sede de quê?

Buenas... então o Brasil (a.k.a. Rio de Janeiro) venceu a disputa para sediar as Olimpíadas de 2016... e?

Buenas, não sei direito o que pensar sobre o resultado. Se é bom ou não para o país e eteceteras mais. Avaliações de váris frentes surgem, uma mais cabível que a outra. Foi bacana ver a festa quando o anúncio foi dado. Ali estavam políticos, atletas e todos cidadãos - a emoção maior de um país que nunca sediou uma Olimpíada. Mas sem entrar no mérito do que é "bom ou ruim" para o país - já que isso é subjetivo demais -, me atenho numa avaliação bem particular. Claro que eu gostaria de ver os Jogos e tal e coisa, mas aí vem aquele velho santinho (ou diabinho, não sei bem) de um dos mobros e diz "mas com tantos problemas no país, vamos festejar o quê?"... pois é, não sei.

Fico apenas com a ilusão (e mesma com a oficialização da Copa, algum tempo atrás) de que as algumas melhoras se perpetuarão. Melhoras físicas, as construções, melhoramentos de vias e afins, permanecerão, bem como o incentivo a esporte e modalidades não tão exercidas por aqui. Já será uma coisa boa. Isso tudo fora a (mais uma) visão que o Brasil demonstra lá fora - aí entrando também na parte econômica da coisa, claro. Enfim, várias visões, vários contras e a favor - ou seriam favores? Talvez eu seja ingênuo demais...

Que venham, Copa e Olimpíadas. Temos sede de mostrar o que de melhor podemos fazer. Só espero que, ao invés de esconder o que não se tem de bom, resolva-se. O tapete não é tão grande assim pra esconder muita coisa. E viva la vida.
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Em tempo:
pela TV, Lulu Santos faz um show (?!) pela vitória do Rio, para uma penca de gente nas praias do Rio de Janeiro... em plena sexta-feira de manhã. Quando vejo esse tipo de cena, sempre penso: essa gente não trabalha? Ou pediram licença?

-Chefe, vou ali ver a vitória do Brasil, tomar um sol, assistir um showzinho e tomar um choppinho. Volto antes das cinco e meia pra lhe entregar o relatório. Se importa se tiver areia?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ludibriados

Buenas, gente amiga, parece que fui, fomos ludibriados. Ao menos, é o que parece. O caso da brasileira espancada na suíça ainda vai longe, mas algumas novas informações sugerem um caminho diferente de que acreditei há alguns dias. Parece (sim, parece) que a mulher queria somente uma indenização, e aí escolheu o partido para tentar algum dinheiro - a parte do espancamento, parece, ainda, é verdade. A mutilação, como previa a polícia suíça, teria sido feita por ela mesma, e a gravidez, inexistia. As informações ainda são muito desconexas, o pai parlamentar não deu mais as caras, o namorado suíço idem, e agora só a polícia e a mídia suíça que falam. Bom, se antes comprei a história da compatriota, agora fico duvidoso de todos os envolvidos.

Mas do meu discurso anterior, não retiro nada sobre o tal partido - aquele cartaz diz tudo! Mesmo que não tenha sido eles a marcar o corpo da mulher, o preconceito e discriminação é tão violento quanto. E sei lá também até onde não tem histórias políticas por trás de tudo isso. Será que o tal noivo não deu uma mãozinha - ou uma facadinha, no caso? Será que a mulher é doente? Será que os suíços estão numa força-tarefa para se eximir de qualquer culpa? Será que o tal parlamentar está caçando votos? Será esse texto totalmente inútil? Ou será que tudo já é tão comum que nem nos importamos mais?

Só sei que me entristece toda a história - que ainda não acabou. Pela mentira da mulher, pelos xenófobos políticos, pela miséria humana, que chega a pontos que a gente, infelizmente, ainda se surpreende.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Questões xenófobas

Sobre a moça que foi atacada na Suíça e teve o corpo marcado com a sigla de um dos principais e mais antigos partidos do país dos Alpes. No ataque a mulher, grávida de gêmeos, perde as crianças. É brasileira, e para azar da Suíça, é filha de secretário parlamentar. Se tudo for verdade, o que impressiona ainda é o racismo, o preconceito ainda ser tão forte - e não só lá, mas em todo o planeta. Em pleno século 21, isso não deveria mais ser admissível. Mas não: a evolução dos anos não leva o progresso do ser humano junto, e as crises econômicas são muito mais importantes que as crises humanitárias. E elas estão sempre presentes, mesmo pra quem não as vê.

O que irrita mais ainda, quando finalmente algo dessa magnitude vêm à tona de uma forma mais visível (obrigado, mídia!), são os absurdos que se lê, vindos das declarações daquele país, como

"não se pode excluir a possibilidade de autoflagelação. Se essas pessoas (os agressores) são de fato do partido, serão expulsas, mas primeiro precisamos saber se tudo isso de fato ocorreu",

dito por Oskar Freysinger, um dos principais nomes do tal partido, o SVP, sigla de Centro de União Democrática (!!). Li bem? É, Democrática mesmo, com um cartaz assim, ó:


e que sugere a autoflagelação de uma mulher grávida, com as letras de um partido "democrático" - que não quer ninguém de fora do país ali ocupando espaço. Claro, autoflagelação faz todo o sentido. Engraçado foi ela ter ido à polícia, já que os que se autoflagelam não costumam reclamar depois. Imagina a fila depois das procissões religiosas, então! Ah, e tem as letras, que a polícia de lá disse que

"investiga em todas as direções. No comunicado, evitou classificar a agressão como ataque racista e não mencionou que alguns dos cortes no corpo da brasileira formavam a sigla do SVP. Mencionou apenas ferimentos em forma de "letras"

que coincidentemente, eram as mesmas do partido! É, tá certo, acho que não tem nada a ver mesmo. Pura perseguição dessa intrusa brasileira no território. E... ei, aquele ali passando não é o Papai Noel?

Espero sinceramente que a indignação brasileira, por meio dos seus representantes legais, seja mais forte do que simples papéis de fax escritos "estamos chateados com vocês". Nada vai trazer de voltas as crianças, e as cicatrizes dessa moça não serão resolvidas só com plástica. Uma cirurgia mental é necessária por lá.

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Em tempo, o que diz ali no cartaz, enquanto a ovelha branca com cara de mimosa empurra delicadamente a pretinha para fora do terreno suíço, é "para criar segurança". Não seria o contrário? Tá, estou sendo maldoso, desculpe. Mas o solzinho risonho no canto inferior direito é uma graça, não?
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