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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Uma foto, alguns dizeres



Mais um ano, e as chuvas novamente são o centro das atenções midiáticas no Brasil. E enquanto a grande massa fica aplaudindo a busca pelos culpados, não dão atenção ao próprio umbigo. Uma coisa é falta de estrutura, recolhimento de lixo e construções em locais impróprios. Outra, e que poderia ajudar MUITO a evitar os alagamentos por aí é a educação dessa mesma massa que sabe muito bem reclamar, mas muitas vezes não sabe agir.

Essa foto aí em cima é o lixo que estava à margem do Rio Pinheiros, sem São Paulo. E foi tirada em 2007. Não é novo, portanto, o problema. Mas a atitude da população não mudou em quase nada em relação a isso. Triste saber que aqui em Porto Alegre, por exemplo, cem pneus são retirados diariamente do Arroio Dilúvio, que corta a cidade. Cem. Diariamente. Os pneus não rolaram sozinhos pra lá, rolaram? Ou já existem pneus suicidas? O lixo não é suicida, mas nós o fazemos, efetivamente, mortal.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Padre nas eleições

Se ainda não leu, vale os 5 minutos no texto bem-humorado do Pe. Otto, logo abaixo...


Um grito contra as trevas

Brasileiros e brasileiras! O capeta está solto! Empunhemos nossos terços e Bíblias e até Alcorões, se os houver! Herodes brande a espada afiada contra as criancinhas do Brasil! Ergamos a fogueira! Queimemos os hereges! O aborto e os gays estão espreitando pela janela!

Gente do céu! Que tiririquice! Que babaquice mais que medieval. Que onda inquisitorial graçando em pleno século XXI. A caça às bruxas. O extermínio dos veados. Cruz, credo! Xô Satanás! Estamos apenas tentando eleger um Presidente para o Brasil. Estamos discutindo propostas e projetos para uma boa administração do Brasil. Aborto, gueisismo, pílula, camisinha não é prioridade do momento.

O processo eleitoral corria tranquilo, dentro dos princípios democráticos: discute-aqui- denucia-ali, promete-isso, condena-aquilo, tudo numa boa. De repente a serenidade é detonada por uma horda de aiatolás, talibãs, mulás, numa gritaria ensurdecedora contra os que ameaçam o poder do Altíssimo.
Alguns vestidos de batina (ainda!), outros de mitra e báculo, outros de terno e gravata ostentando Bíblias, todos ecumenicamente de dedo em riste acusador: "ela é a favor do aborto, ele apóia o casamento homem-com-homem, mulher-com-mulher, os dois defendem a distribuição de camisinhas até para as crianças da escola.

Deus do céu! Que atraso! Que tiririquice! Pra começar, arbitrar sobre aborto e formas de casamento é da competência do Congresso Nacional e não do Presidente da República, que apenas sanciona ou veta a disposição do Congresso. Além do mais, aborto e casamento gay nem estão em pauta de discussão, hoje.

Mais importante e pertinente agora é ouvir dos candidatos suas propostas e projetos concretos quanto à saúde, educação de qualidade, distribuição de renda, segurança da população, criação de empregos, formas de apropriação ou não do Estado, relações diplomáticas e econômicas com outros países, transporte, saneamento básico, liberdade de imprensa, desenvolvimento do país, programas sociais, etc., etc.

E mais: estamos num país democrático, regido por uma Constituição Civil e não pelas tábuas da lei de Moisés. É um país democrático e laico e não teocrático, apesar de supostamente religioso. Sua capital é Brasília e não o Vaticano, nem a Canção Nova, nem a sede da Assembléia de Deus, nem a CNBB.
Tentar manipular a consciência do eleitor, ameaçando-o com a ira de Deus é injuriar o próprio Deus que nos criou livres. O dia em que o povo tiver que consultar um aiatolá de plantão tipo Pastor Silas Malafaia, ou um Padre José Augusto (Canção Nova) para votar, é melhor rasgar o título de eleitor e o estatuto da maioridade civil. O que vem se praticando em meios religiosos no momento, é o aborto da eleição, da democracia, da Constituição e do bom senso. Xô Satanás!

Pe. Otto Dana
Pároco da Igreja Sant´Ana em Rio Claro, SP

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Restituição? Hoje, só ano que vem.

Ontem deu-se a notícia de que as restituições de Imposto de Renda sofreriam um atraso de até cinco meses - ou seja, quem não recebeu até agora, pode só receber em 2010. O legal foi ver a desculpa do governo para o ato: não rendeu o suficiente para a devolução. Parô, parô, parô! Como assim, não rendeu?! Tirando fora todos os desvios, caixas dois e salários absurdos de todos que tem cargos dentro da ala política, vão dizer que os tributos retirados do salário de todos com carteira (fato, aliás, vangloriado pelo mesmo governo há pouco tempo) não foi suficiente para devolução de uma parte mínima? Ah, pára! O que retorna para o bolso do contribuinte é pouco mais de 30% do que ele recolhe. Ou seja, cerca de 70% fica com o governo... e não tem como devolver? Ah, pára (2). Mesmo com a queda de recolhimento, o tal "porcento" deixa sempre margem pra devolução, é uma questão matemática bem simples, a meu ver.

Subestimar a inteligência do povo já é praxe, e não os culpo por isso. Somos esquecidos, coniventes e - num linguajar mais popular, acomodados. Esse pequeno problema renderá mais conversas de botequins e.... só. Aguardaremos ansiosamente por março do ano que vem para termos um dinheirinho de volta - ei, de repente, paga-se o Carnaval com ele! Afinal, é só aí que o ano começa mesmo.


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